11 novembro 2007

Relações humanas : EQUILÍBRIO E SUICÍDIO

Uma das minhas paixões é a psicologia mas dela eu entendo pouco e por não entender pergunto-me muitas vezes porque acontecem tantos desbaratinos humanos: porque alguém reage de maneira inesperada e chocante em certas circunstâncias; porque deixamos de ter paciência para com tantas coisas... porque tanta violência, incompreesões e qual a ligação destas distorções da sociedade e os casos de suicídio dos dias atuais.

Parece que na correria em que vivemos e na pouca recompensa que recebemos pelo trabalho profissional exercido, este estado de insatisfação deixa-nos pouco tempo para reflexão, no sentido de compreender o outro e a relação de alteridade que tanto nos é necessária para ver-nos a nós mesmos refletidos em outras vidas, numa troca de igual para igual.

Ninguém subsiste no isolamento absoluto, mas a cada tentativa de aproximação há que ter a noção de rejeição ao medo que o outro proporciona. Afinal, o outro é um desconhecido. Não sabemos se ele diz a verdade. Aprendemos a confiar em palavras, mas como confiar em palavras vindas de um estranho? Inconscientemente assim pensando, negamos muitas vezes o dar-se gratuitamente numa interação de amizade, ou contato amistoso, e perdemos chances preciosas de penetrar no universo de outras pessoas e alargar os nossos próprios universos.

As relações humanas na atualidade esbarram numa muralha impenetrável e, pior que isto, geram uma espécie de competição irracional e inconsciente que pode levar certos indivíduos a extremos.

Existem casos de competições agravantes no trabalho, onde certas pessoas chegam a prática do suicídio por não conseguir integrar-se nas brincadeiras e zombarias formadas em torno delas.
Eu conheço casos em que a pessoa chega a entrar em pânico e precisa ser licenciada do emprego. Como exemplo real: uma amiga minha trabalhou anos e anos numa grande empresa no cargo de secretária da gerência e foi afastada por problemas psicológicos gerados no campo de trabalho; a vingança do diretor veio 6 meses depois, quando esta amiga voltou ao trabalho. Ela foi colocada para rodar xerox o dia inteiro, e sentindo-se humilhada entrou em depressão suicidando-se.

Contado assim, pode parecer algo banal, no entanto, quem passa por problemas semelhantes sabe a que ponto uma pessoa pode chegar sendo contantemente humilhada e chacoteada no círculo social.

Outros casos também graves são aqueles de adolescentes em classe de escola, onde certos colegas os pegam em zombarias, por serem gordos, outras vezes por serem lentos, outros ainda por serem gays, e o trágico destes fatos é que o estado psicológico destas pessoas podem levá-los a cometerem desastres contra a sociedade ou contra eles próprios. Como exemplo vejam os casos vistos em reprise diversas na atualidade, onde o aluno entra na escola atirando contra professores e colegas. Outras vezes, estes mesmos jovens suicidam-se por não suportarem o repúdio da sociedade em relação a algum comportamento seu, tido como "anormal".

Podemos analisar aqui o termo "normal" a que ponto estamos preparados para criticar alguém e julgar o que é normal e o que não é normal? No caso referido acima, ser gay é anormal? No século passado era doença, agora é anormal e no século futuro será o que?

Penso que os "anormais" são aqueles que não desenvolveram um espírito crítico de alteridade, suficientemente à altura de compreender as diferenças. Penso também que buscar o equilíbrio é importante, mas para alcançar o equilíbrio individual é necessário compreender a sociedade em que estamos inceridos; é necessário saber conviver com as diferenças, sem que elas nos incomodem, deixando que cada pessoa ao redor de nós encontre a sua própria maneira de ser feliz.

Por Alda Inacio
Que Deus acompanhe você em tudo que fizer. Volte sempre.