08 agosto 2010

Ao meu pai desconhecido

Pai, hoje senti vontade de falar contigo aqui neste espaço mesmo sem nunca ter te visto, mesmo sem nunca ter cruzado meus olhos com os teus olhos. Penso que tu não  estás mais neste plano, meu coração sente isto. Que pena! Negaram a nós dois a felicidade de nos conhecermos antes da tua partida. E olha que minha busca foi grande. Primeiramente, desde o  meu nascimento, procurei-te dentro de mim. Mas para uma criança que não conheceu seu pai era difícil entender a falta que um pai faz e isto passou-se como busca interior até completar meus sete anos de idade. Eu sentia tua falta e não sabia medir a importância da ausência.


Aos sete anos de idade, ao entrar na escola percebi que todas as outras crianças tinham pai, eu não tinha e os questionamentos colocavam-me em situação muito inferior às outras crianças. Um dia cheguei em casa e questionei minha mãe: quem é meu pai, onde mora e qual seu nome? Ela pronunciou teu nome somente e este nome eu guardei por toda minha vida. "Juvenal" e foi a coisa mais sólida que obtive de ti e a mais profunda. Neste dia escrevi teu nome no meu coração e no meu cérebro, porque o teu sangue está retido em minhas veias e ele deu frutos, sabe meu pai, e dele nasceram quatro rebentos que tu não tivestes a alegria de conhecer. Mais do que tudo, a ti e a mim foi negado o direito de olhar nos olhos um do outro e dizer, num dia como hoje: "te amo meu pai!"


Não culpo minha mãe por esconder de mim teu rosto, talvez seu gesto tenha sido na ânsia de preservar-me perto dela, só para ela. Que Deus a tenha. Que Deus o tenha meu pai. E neste dia dos pais, depois de ter escondido-te dentro de mim durante tantos anos, quero dizer que te amei durante toda minha vida e te guardei no lugar mais terno do meu coração. Feliz dia dos pai  meu pai. Feliz dia dos pais a todos os pais. Que Deus os abençoe a todos.


Por Alda Inacio

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