18 maio 2012

Diferença entre conversão verdadeira e falsa

Não tem alegria maior neste mundo do que aquela que vivemos no momento da nossa conversão. Praticamente todos que ingressam no conhecimento do evangelho sentem esta alegria desmesurada e com ela vem a vontade de que todas as pessoas se convertam. Isto é fruto do espírito e causa uma "abertura de olhos" entre aspas, porque estes olhos que se abrem não são olhos da carne, são do espírito. Você começa a enxergar a realidade holística da existência e esta sensação é maravilhosa e leva sempre à um complemento da conversão que é o batismo.
Mas aí entra uma questão bem mais complicada de entender: o recém convertido é nenezinho na fé e portanto estes ímpetos de querer evangelizar o mundo, na maioria das vezes, dão em nada. Verdade! É como fogo na grama seca. O fogo se espalha, queima uma área imensa e vai se apagando, apagando e acaba, deixando uma fumacinha que também se extingue.

Veja bem, nem sempre isto acontece, pois há conversões sinceras e verdadeiras desde o início; não foi meu caso, e aqui relato com sinceridade a minha experiência.

Veja minha história como exemplo.
Eu nasci lá no Rio Grande do Sul de mãe separada, não conheci meu pai e isto eu cobrei de minha mãe a vida inteira. Ela negou-me o direito de conhecê-lo e esta foi uma grande mágoa que eu guardei contra minha mãe. A segunda mágoa foi ao completar 13 anos, uma vida muito pobre em Sapucaia do Sul, minha mãe deu o veredito "a partir de então eu não iria mais estudar" deveria trabalhar. Foi o caos! Eu queria morrer. Tudo foi resolvido com a interferência de um vizinho chamado André. Nome hoje de meu filho André, dado em homenagem ao senhor André, herói da minha adolescência. Este vizinho candidatou-se a pagar meus estudos do ginásio, obrigando minha mãe a voltar atrás na sua decisão. Neste entretanto, eu acumulei mais uma grande mágoa contra minha mãe. Eu estudei contra a vontade dela, eu a amava, mas a mágoa ficou gravada no meu coração.

Anos depois, aos 33 anos de idade, foi a minha conversão ao evangelho, meu batismo;  eu senti os ímpetos daquela felicidade enorme de querer converter o mundo, mas a minha verdadeira conversão não aconteceu.  Eu caí no mundo, pequei muitas vezes, fui má, interesseira, egoísta, fiz coisas horríveis que só Deus sabe.  Mais de vinte anos depois eu fui compreender o que é uma verdadeira conversão. Somente quando eu pude rever os meus erros (pecados), rever a minha posição diante de Deus, limpar o meu interior das mágoas e rancores que eu tinha contra minha mãe e ver que eu não sou nada, sou um grão de areia despido e sujo, só aí é que eu senti a verdadeira conversão. Só quando eu pude chorar a dor do engano, do arrependimento pelos meus pecados, vendo a cena no meu imaginário "Deus, meu pai, puro e fiel olhando para mim durante minha vida inteira,  o tempo passando e ELE me ajudando, esperando eu crescer na fé, paciente. Eu  lambuzada na lama da minha vida e ELE com sua doçura e bondade a me pegar pela mão e me tirar da lama..." Só então eu pude saber o que é uma conversão verdadeira. Eu chorei durante um ano, creia. Chorei durante 12 meses.  Pouco a pouco foi limpando meu coração das mágoas e rancores. Hoje eu sou leve e pura, verdadeiramente convertida.

Então meu amigo, creia que muita gente está enganada nas igrejas, enganada por si mesma,  com o peito cheio de mágoas e rancores e sem uma conversão sincera. Pessoas que ainda irão sofrer tudo o que eu sofri, até entender. Pessoas que riem, falam de felicidade e no fundo delas mesmas são um poço de ódio e dor. A conversão verdadeira não vem suavemente. Arrependimento é com dor e grande sofrimento.  Este é o diferencial entre uma conversão falsa e uma verdadeira.

Receba esta palavra com carinho leitor, para reflexão e compreensão a saber que Deus habita corações leves e puros. Corações transformados. Creia nisto. 

Paz no Senhor
Por Alda Inácio


Nenhum comentário:

Que Deus acompanhe você em tudo que fizer. Volte sempre.