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12 julho 2009

Minha vida na Bélgica - 9° capítulo

9° Capítulo

                 Depois da tempestade.


               O desespero e a dor invadiram minha vida depois da deportação da menina. Quase três anos sem vê-la, para então me sentir impotente ante as consequências psicológicas da deportação.
        Aquilo parecia um pesadelo do qual eu queria acordar e não conseguia. A menina chegou traumatizada no Brasil e nem consolá-la eu podia. Quem não conhece as tramas de uma vida ilegal em outro país pode pensar que nossa ausência em certas circunstâncias é inexplicável. No dia da sua chegada e partida fui ao aeroporto, vi minha filha de longe e sequer pude mostrar a ela que eu estava ali, se o fizesse seríamos ambas deportadas. 

                     A sequência está no livro, visite o site da Editora Perse.


Roubei os versos e ofereço a ti

Aqui não tenho costume de colocar poesia e hoje preciso....Roubei estes versos do blog "Uma página para dois" do meu amigo Eduardo Poisl, para oferecer a alguém distante, através do oceano, entre as nuvens, amenizando a distância com todas as cores desta manhã de domingo.
A Noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono, entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.

Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro me procurava
como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que sou agora - pão, vinho, amor e cólera -
que te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava os dons da minha vida.

Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra girava com vivos e mortos,
de repente despertei e no meio da sombra
meu braço rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.

Dormi contigo, amor, despertei,
e tua boca saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda
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